O retorno da Parada LGBTQIAPN+ ao calendário oficial de Camaçari, é sem dúvida um passo importante.
A Parada LGNTQIAPN+ é uma manifestação cultural, política e social legítima. É um espaço de resistência, de ocupação das ruas e de afirmação da existência de uma população historicamente marginalizada por uma sociedade machista, patriarcal, racista e LGBTfóbica. E já se passaram um ano e seis meses da atual gestão municipal, eleita inclusive com forte apoio da comunidade LGBTQIAPN+.
O poder público deve sim apoiar iniciativas como essa, porque elas têm importância simbólica, cultural e econômica. E o vereador Kaique Ara, aprova a indicação do retorno da Parada.
A população LGBTQIAPN+ ainda enfrenta enormes dificuldades no acesso à educação básica, à saúde e ao mercado de trabalho. Sofre diversos tipos de agressão dentro de casa, nas ruas, nas escolas e até nos espaços institucionais. Essa realidade atinge de forma ainda mais cruel travestis e mulheres trans, que frequentemente abandonam a escola muito cedo por serem vítimas constantes de violência, preconceito e exclusão.
Também é preciso reconhecer que a população LGBTQIAPN+ de Camaçari nunca teve, ao longo das gestões passadas, uma política pública realmente sólida, estruturada e permanente. Houve avanços pontuais, algumas iniciativas importantes, debates que aconteceram em determinados momentos, mas historicamente o segmento sempre ocupou um espaço secundário dentro das prioridades do poder público municipal.
O atual grupo político se apresenta como um campo progressista, de esquerda, defensor das minorias e dos direitos humanos. Uma gestão que utilizou fortemente esse discurso durante a campanha eleitoral, dialogou com a comunidade LGBTQIAPN+, pediu apoio e recebeu esse apoio nas urnas.
Em alguns aspectos, inclusive, houve retrocessos, como o fechamento do SOMA (equipamento importante de acolhimento para pessoas LGBTQIAPN+ em situação de vulnerabilidade) e o esvaziamento da coordenação. Nenhuma iniciativa sólida de empregabilidade, educação, saúde ou proteção social ganhou destaque.
A parada LGBTQIAPN+ movimenta a economia local e fortalece a cultura da diversidade. Mas ela não pode servir como cortina para esconder a ausência de políticas públicas permanentes. E que a parada volte e as ruas sejam ocupadas novamente com orgulho, cores e resistência.

